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sábado, 27 de julho de 2013

PODSABER Especial Recordando Chico Xavier #6 - Partida de Pedro Leopoldo




Fale-nos sobre a saída de Chico de Pedro Leopoldo. Segundo o filme de Daniel Filho, isso teria se dado de forma intempestiva, após uma discussão familiar. Teria sido assim mesmo? Ou teria ocorrido uma saída processual? Como biógrafo, o que você tem a dizer sobre isso, já que o livro focaliza o período que culmina com essa mudança?

Eu diria que o diretor Daniel Filho usou uma licença poética, porque falar, em duas horas, sobre uma figura humana como Chico, é humanamente impossível! Mas o fato histórico não aconteceu daquela forma. Aquela “discussão” em família se deu em 1948 e como era natural ocorreu porque não era qualquer um que conseguiria viver ao lado do Chico, pois ele era intensamente solicitado. A casa, de fato, pertencia à família, mas a irmã estava casada e o marido, que era católico, não suportou o nível de procura por Chico à sua porta. Saindo dessa casa, ele foi para a casa de outra irmã, Maria Luiza Xavier, considerada praticamente a terceira mãe de Chico, com quem ele morou por, aproximadamente, dois anos; depois, nos últimos oitos anos, de 1950 a 1958, ele morou numa residência própria, que ficava nos fundos da casa dessa irmã. Então, a saída dele ocorreu dessa forma e não de modo intempestivo, como mostrado no filme. Porém, várias razões concorreram para a sua saída, dentre elas o desejo de saída manifestado pelo próprio médium, como pude comprovar numa carta que ele escreveu a uma grande amiga da cidade de Matozinhos, D. Hermelita. Ele tinha o desejo de se mudar para Uberaba, sobretudo quando Waldo Vieira tivesse se formado em Medicina. Eles já tinham se conhecido por volta de 1956 e mantiveram uma correspondência, psicografando obras em parceria, em cidades diferentes. Eu diria que o Chico teve que antecipar a saída, não por causa da irmã, mas sim pelas graves acusações de um dos seus sobrinhos – o Amaury - filho de outra irmã, mais velha, aquela que passou por problemas obsessivos e que, involuntariamente, o levou ao Espiritismo em 1927. Esse rapaz o acusou publicamente de mistificador. O Chico não se defendeu, porque se ele se defendesse atacaria a própria família. Silenciou, mas aquilo o machucou demais. O discurso oficial, narrado pelo próprio Chico, dizia que ele teria saído de Pedro Leopoldo em razão do clima, que comprometia, ainda mais, a sua labirintite. Ele não mentiu, mas também não disse, digamos, toda a verdade. Que clima era esse? Era o clima estabelecido pelo sobrinho. Essa foi a grande razão da saída e, essa, sim, uma saída traumática; ele não desejava sair como saiu. Digo mais, como pedroleopoldense: acredito que ele precisava sair para ampliar suas atividades no campo doutrinário.

Trecho da entrevista de Jhon Harley à Campina Espírita.

Ficha Técnica:
Técnico de Gravação:Henrique Lisboa
Design:Thiago Panegassi
Edição: Denis Perdigão
Webmaster: Henrique Lisboa - Marco Gandra
Participantes: Marconi Gomes, Marco Gandra, Dauro Mendes, Guilherme de Barros, Geraldo Lemos Neto, Luis Sérgio Marotta,  Henrique Lisboa, Livia Dias, Marco Di Spirito, Silvana Saldanha

Chico Xavier - Fábio Jr
Falar a verdade - Cidade Negra
Background Music Instrumentals - relaxdaily - B-Sides N°1 - http://www.youtube.com/watch?v=qycqF1CWcXg





Humberto de Campos






De origem humilde, era filho de Joaquim Gomes de Farias Veras e Ana de Campos Veras. Nasceu no então Município maranhense de Miritiba - hoje batizado com o seu nome. Com a morte do pai, aos seis anos, mudou-se para São Luís, onde começou a trabalhar no comércio local para auxiliar na subsistência da família. Aos dezessete, muda-se novamente para o Pará, onde começa a exercer atividade jornalística na Folha do Norte e n'A Província do Pará.

Em 1910, quando contava 24 anos, publica seu primeiro livro de versos, intitulado "Poeira" (1.ª série), que lhe dá razoável reconhecimento. Dois anos depois, muda-se para o Rio de Janeiro, onde prossegue sua carreira jornalística e passa a ganhar destaque no meio literário da Capital Federal, angariando a amizade de escritores como Coelho NetoEmílio de Menezes e Olavo Bilac. Torna-se cada vez mais conhecido em âmbito nacional por suas crônicas, publicadas em diversos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais brasileiras, inclusive sob o pseudônimo "Conselheiro XX".

Em 1919 ingressa na Academia Brasileira de Letras, sucedendo Emílio de Menezes na cadeira n.º 20. Um ano depois ingressa na política, elegendo-se deputado federal pelo seu Estado natal, tendo seus mandatos sucessivamente renovados até a eclosão da Revolução de 1930, quando é cassado. Após passar por um período de dificuldades financeiras, é nomeado, graças à admiração que lhe votavam figuras de destaque do Governo Provisório, Inspetor de Ensino no Rio de Janeiro e, posteriormente, diretor da Casa de Ruy Barbosa.

Em 1933, com a saúde já debilitada, Humberto de Campos publicou suas Memórias (1886-1900), na qual descreve suas lembranças dos tempos da infância e juventude. A obra obteve imediato sucesso de público e de crítica, sendo objeto de sucessivas edições nas décadas seguintes. Uma segunda parte da obra estava sendo escrita por Humberto de Campos quando de seu falecimento, vindo à lume postumamente sob o título de Memórias Inacabadas.

Após vários anos de enfermidade, que lhe provocou a perda quase total da visão e graves problemas no sistema urinário, Humberto de Campos faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de dezembro de 1934, aos 48 anos, em virtude de uma síncope ocorrida durante uma cirurgia.

Tendo Humberto de Campos falecido no auge de sua popularidade, diversas coletâneas de crônicas, anedotas, contos e reminiscências de sua autoria foram publicados nos anos seguintes a sua morte, época em que também vieram à lume diversos livros supostamente escritos pelo espírito do escritor, sendo tendo sido psicografados pelo médium Chico Xavier. Os familiares de Humberto de Campos processaram judicialmente este último, alegando a ausência de pagamento de direitos autorais. A demanda, que provocou grande polêmica na época, foi julgada improcedente (conferir detalhes do processo abaixo)

Em 1950, nova polêmica: o Diário Secreto mantido pelo autor em alguns períodos da década de 1910 e com assiduidade de 1928 até sua morte é divulgado pela revista O Cruzeiro, cujos editores o publicam em livro em 1954. A publicação causou escândalo à época de sua publicação em razão de diversos registros e impressões pessoais feitos por Humberto de Campos a respeito de pessoas de grande notoriedade nas letras, política e sociedade de sua época, incluindo Machado de AssisGetúlio VargasOlavo Bilac, e outros.

Sucessivas edições das Obras Completas de Humberto de Campos foram publicadas por diversas editoras (José Olympio, Mérito, W. M. Jackson, Opus) até 1983.

As constantes preocupações de ordem financeira, as quais o obrigavam a redigir diariamente crônicas, contos e artigos de crítica literária a fim de garantir sua subsistência, bem como os prolongados problemas de saúde que resultaram em uma morte prematura, impediram Humberto de Campos de se debruçar sobre projetos literários de maior envergadura, razão pela qual parcela substancial de sua bibliografia é constituída de coletâneas de seus escritos, os quais constituem útil instrumento para a análise da vida cotidiana e literária dos anos 1910, 1920 e 1930 no Brasil. A temporalidade que caracteriza essa parcela substancial de sua bibliografia parece ser a principal razão para o pouco interesse que atualmente o seu nome desperta entre os leitores e no meio acadêmico.




Carlos Chagas





Carlos Justiniano Ribeiro Chagas (Oliveira, 9 de julho de 1878Rio de Janeiro, 8 de novembro de 1934) foi um médico sanitarista, cientista ebacteriologista brasileiro, que trabalhou como clínico e pesquisador. Atuante na saúde pública do Brasil, iniciou sua carreira no combate à malária. Destacou-se ao descobrir o protozoário Trypanosoma cruzi (cujo nome foi uma homenagem ao seu amigo Oswaldo Cruz) e a tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas. Ele foi o primeiro e até os dias atuais permanece o único cientista na história da medicina a descrever completamente uma doença infecciosa: o patógeno, o vetor (Triatominae), os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia.

Foi diversas vezes laureado com prêmios de instituições do mundo inteiro, sendo as principais como membro honorário da Academia Brasileira de Medicina e doutor honoris causa da Universidade de Harvard e Universidade de Paris. Também trabalhou no combate à leptospirose e às doenças venéreas, além de ter sido o segundo diretor do Instituto Oswaldo Cruz.









Semelhança nas Fotos de André Luis (Autor Espiritual de Nosso Lar) e Carlos Chagas:






Carlos Chagas




Imagem obtida mediunicamente de André Luiz


Publicação feita no Site da Editora Vinha de Luz

(Obtida em 21 de Julho de 2013 pela URL http://www.vinhadeluz.com.br/site/noticia.php?id=63)

Na década de 60, quando estudava a série das obras de André Luiz, psicografadas por Francisco Cândido Xavier, naturalmente entusiasmado com a riqueza de suas informações, colhidas em estágios realizados em vários setores de aprendizagem de Mais Além, e transmitidas com atraente descrição romanceada, também tive, como muitos confrades, a curiosidade de saber quem era o autor, desencarnado há poucas décadas, que se ocultava com aquele pseudônimo. Esta curiosidade foi aguçada por uma observação da revista Reformador que, ao divulgar o lançamento de mais uma obra de André Luiz, pela FEB, identificou-o como um ilustre médico do Rio de Janeiro.

Passei, então, a pesquisar sua identidade, consultando biografias de vultos da medicina brasileira, embora lembrando sempre da advertência de Emmanuel, conforme se lê em seu prefácio para o livro Nosso Lar, o primeiro da série: “Embalde os companheiros encarnados procurariam o médico André Luiz nos catálogos da convenção, por vezes o anonimato é filho do legítimo entendimento e do verdadeiro amor.”

Confirmando a advertência do sábio guia espiritual do médium, minhas pesquisas foram infrutíferas. Elas indicavam, como o autor mais provável, o Dr. Álvaro Alvim (1863-1928), que escreveu vários livros médicos e foi mártir da medicina brasileira. Alguns dados biográficos e a sua fisionomia, estampada na Enciclopédia Lello Universal, levavam a essa hipótese, que não satisfazia o nosso objetivo.

Citei a fisionomia porque a imagem de André Luiz já havia sido divulgada pelo Anuário Espírita 1964, que a apresentou juntamente com a entrevista desse espírito através dos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Após essa entrevista, realizada em Uberaba, MG, em 1963, com a presença do devotado confrade Jô (Joaquim Alves, São Paulo, SP, 1911-1985), autor de numerosas capas de livros espíritas, o conhecido artista solicitou ao Dr. Waldo um esboço da imagem de André Luiz, fundamentado em sua clarividência. Atendido em seu pedido, em face de sua facilidade para desenhar, Jô efetuou a arte final daquele retrato.

Portanto, não encontrando uma solução clara para a questão, na primeira oportunidade recorri ao médium amigo Chico Xavier, participando-lhe minha pesquisa. Ele, como sempre, ouviu-me pacientemente, e, a seguir, esclareceu-me de forma incisiva: - Não perca tempo, pois a biografia de André Luiz, em Nosso lar, está toda truncada.”

Com essa oportuna advertência, encerrei definitivamente minhas pesquisas, entendendo que havia, de fato, razões seriíssimas para o autor se ocultar, não só com o seu pseudônimo, mas também alterando sua própria biografia, sem nenhum prejuízo na transmissão dos ensinamentos superiores dos quais era portador.

Finalmente, o médium elucida-nos completamente

Em 20 de fevereiro de 1993, num fim de semana, ao visitar o estimado médium Chico Xavier, em sua residência, tivemos uma surpresa feliz.

Juntamente com três familiares – esposa Maria de Nazareth, nosso filho Hélio Ricardo e tio Hélio – entramos na copa de sua casa, local habitual em que ele recebia os visitantes, encontrando-o assentado, em palestra com alguns confrades, dentre eles, Dorival Sortino, presidente das Casas Fraternais O Nazareno, de Santo André, SP, e um médico, já idoso, do Rio Grande do Sul, que integrou a última turma de alunos do Dr. Carlos Chagas, no Rio de Janeiro. Este, quando residia nos Estados Unidos, teria auxiliado o médium quando em uma de suas viagens àquele país.

Logo depois que chegamos, Chico e o médico passaram a dialogar sobre a figura do Prof. Dr. Calos Chagas (1879-1934), médico e cientista brasileiro, que se tornou célebre por estabelecer, sozinho e simultaneamente, a etiologia, características patológicas e prevenção de uma nova e grave enfermidade, que em sua homenagem foi denominada doença de Chagas.

A certa altura da conversa, Chico abordou uma questão, que muito me surpreendeu, pois o esclarecimento da mesma nunca havia sido divulgado. Nesse momento, passamos a anotar a sua fala, como sempre fizemos, eu e minha esposa, quando ouvíamos algo mais interessante do querido médium. Contou-nos, então, com naturalidade, que, ao terminar a psicografia do Livro Nosso lar, esperava que o seu autor usasse o seu próprio nome da última encarnação. Mas para sua surpresa, certa noite, estando em desdobramento espiritual, mantendo um diálogo com Dr. Chagas, foi informado de que, para não criar problemas ao médium, ele usaria um pseudônimo. E dentro de um ano, Chico entenderia melhor essa decisão.

A seguir, Chico perguntou-lhe qual pseudônimo ele usaria. Então o autor olhou para o irmão do médium, chamado André Luiz, que dormia na cama ao lado, e disse-lhe que usaria o nome dele. E assim foi feito.

A primeira edição do Nosso lar foi lançada, pela FEB, em 1944, com prefácio de Emmanuel, datado de 3 de outubro de 1943. E o que aconteceria no próximo ano?

Em 1944, a sra. viúva do renomado escritor Humberto de Campos (1886-1935) pleiteou na justiça os direitos autorais das obras mediúnicas de Humberto de Campos – espírito, recebidas por Francisco Cândido Xavier e editadas pela FEB. Surgiu então, “o caso Humberto de Campos”, caracterizado como escândalo pela grande imprensa. A propósito, disse-nos o Chico: “Foi horrível por causa do alarme da imprensa.” (Ver depoimento do médium em Chico Xavier – o Apóstolo da Fé, Carlos A. Baccelli, LEEPP, 2002, cap. “Chico, 89 primaveras!”.)

Após longa trajetória, o processo chegou ao fim com a absolvição dos réus: o médium e a editora. A partir dessa época, Humberto de Campos, espírito, passou a usar o pseudônimo de Irmão X em seus livros psicografados.

Portanto, é fácil entender a preocupação do Dr. Carlos Chagas (André Luiz) em não se identificar como autor de Nosso lar, que, segundo a programação superior, representava o marco inicial de uma longa série de livros. Era necessário que, além do pseudônimo, o autor espiritual não fosse, de forma alguma, identificado, graças à providência de truncar dados de sua vida sem afetar o elevado conteúdo da obra.

Por que esta revelação, tão esperada por muitos confrades, feita há 10 anos, em Uberaba, exatamente 50 anos (1943-1993) após a psicografia de Nosso lar, está sendo divulgada agora?

Estamos convictos de que este é o momento certo.

Recentemente, a revelação da identidade espiritual André Luiz/ Dr. Carlos Chagas foi feita pelo Dr. Inácio Ferreira (espírito) em sua obra Na próxima dimensão (médium Carlos A. Baccelli, LEEPP, 2002), ao narrar a sua visita a André Luiz, na cidade Nosso lar, oportunidade em que estabeleceu o seguinte diálogo:

- (...) um dia fui Carlos Chagas (...)
-Você não era Osvaldo Cruz?... – indaguei sem vacilar.
- Não!...
- E por qual motivo não se identificou desde o início?
- A obra do médium Xavier não necessitava do meu nome para lhe conferir credibilidade e, depois, precisávamos evitar maiores problemas para a Doutrina...
- Está se referindo ao caso envolvendo a família do escritor Humberto de Campos?
- A ele e ao estardalhaço que a imprensa leiga haveria de promover; se próprio Emmanuel constitui pseudônimo, porque eu não poderia ter feito o mesmo?...” (Cap. 33)

Este livro, que também aborda a desencarnação de Chico Xavier vista do Mundo Maior, tem alcançado grande sucesso, com tiragens sucessivas. E muitos de seus leitores, conforme exteriorizam em seus artigos na imprensa espírita, têm pesquisado a vida do Dr. Carlos Chagas, não encontrando, obviamente, conforme ocorreu comigo, décadas atrás, confirmação de alguns detalhes de última existência física de André Luiz, narrado em Nosso lar, com a biografia do célebre cientista brasileiro.

Esta é a razão principal que nos motivou a trazer aos leitores amigos a palavra esclarecedora do nosso inesquecível médium Chico Xavier.
“- Parece com ele.”

Meses após a identificação feita por Chico Xavier, adquirimos dois volumes do livro Meu pai, recentemente lançado pela Casa de Oswaldo Cruz – Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, RJ, em 1993, rica biografia do cientista Carlos Chagas, fartamente ilustrado, com 294 páginas, de autoria de Carlos Chagas Filho (1911-2000), igualmente cientista famoso, pesquisador honorário da Fundação Oswaldo Cruz, membro da Academia Brasileira de Letras, destacando-se também como presidente da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, no período de 1971 a 1988.

A compra de dois volumes foi com a intenção de também presentear o médium amigo de Uberaba, com um dos dois volumes, o que fizemos na primeira oportunidade. Ao entregar-lhe o livro, Chico agradeceu-nos e, após analisar atentamente a capa do mesmo, ilustrada com a imagem do Dr. Carlos Chagas, em bela aquarela de Glauco Rodrigues, disse-nos: “– Parece com ele.”, evidentemente referindo-se à semelhança da fisionomia do biografado com André Luiz, espírito.

“Recordações de meu pai” – um perfil de Carlos Chagas

O último capítulo da obra acima citada (que apresenta a expressiva dedicatória: “A Evandro, meu irmão, cujo espírito me acompanhou na elaboração deste trabalho.”) focaliza as recordações íntimas do autor, constituindo um belo perfil da personalidade de seu genitor, do qual transcrevemos, a seguir, alguns tópicos:

“De seu último período em Manguinhos, guardo a recordação de nossas conversas. Eram horas e horas em que ficava a escutá-lo e, pelas suas palavras, pude penetrar em grande parte de sua alma e conhecer episódios de sua vida. Foi o momento no qual, certamente, mais procurou influir em mim e formar a minha personalidade, contando-me sobretudo os erros – tão poucos! – que cometera. Ensinou-me a difícil tarefa de compreender as gentes e amá-las.”

“Guardo de meu pai a certeza de que era um homem simples, no que a palavra tem de mais autêntico. Honrarias, louvações e atitudes de subserviência nada lhe diziam. Sendo um homem forte, queria que os que o acompanhasse assim fossem e não aceitassem suas palavras como irrebatíveis.

 Sua indiferença frente dos aspectos materiais da vida era total, a não ser a pequena vaidade de gostar de vestir-se com esmero, vaidade que aos poucos foi desaparecendo. Quando morreu não deixou bens, senão a casa da rua Paissandu.”

“Várias vezes procurei saber qual a sua posição em face da religião. Mostrou-se sempre avesso a esse debate. Creio que o seu espírito se dividia entre a profunda religiosidade de sua mãe e de seus tios – muitos dos quais sempre de terço na mão – e o agnosticismo, que era a tônica de grande maioria dos cientistas de sua geração. Profundamente respeitador do sentimento alheio, nunca o ouvi discutir este assunto, nem dizer uma frase de mínimo desacordo com o fato de que, a partir de um certo momento, comecei a frequentar a igreja. Não importa tentar perquirir a intimidade de seu sentimento religioso. O importante é assinalar que a sua vida se completou dentro dos preceitos mais fundamentais do Evangelho.”

“Meu pai não foi um cientista acadêmico, um homem de laboratório, interessado somente no seu próprio progresso intelectual e na ascensão do seu reconhecimento internacional. O que desejou, na verdade, foi servir o povo brasileiro, tirando do seu convívio com os filhos dos colonos das fazendas em que viveu, com as agentes com quem conviveu em Lassance e com aqueles que amou na bacia amazônica a força para entregar-se ao que há de demais importante na vida de um homem: não viver para si, mas viver para servir o seu próximo. Analisando a vida de meu pai, penso que ele nos deixa uma grande mensagem: a de que a vida humana só tem significação quando utilizada para servir. Essa é a lição que ele aprendeu na frequência da miséria que viu em Minas, na Amazônia e um pouco por todo o Brasil.”

“Até mesmo quando, no ano de sua morte, Gustavo Pitaluga, chefiando um grupo de patologista europeus, escreveu-lhe pedindo todas as suas publicações e o seu currículo para apresentá-lo como candidato ao prêmio Nobel de 1936, sua emoção não chegou a modificar-lhe o clima de vida, nem mesmo suas aspirações. Seu interesse pelos de menor situação na sociedade traduzia-se, perfeitamente, na maneira suave e carinhosa com a qual se aproximava dos pacientes nos hospitais que o vi frequentar. Para ele, cada ser humano tinha uma expressão própria que devia ser respeitada no mais profundo sentido ético que tem o substantivo “ser”. Sua vida pode traduzir-se pela oposição que deu ao “ser” em relação ao “haver”.”

“Quando cheguei a Lassance, 21 anos depois do momento em que meu pai descobriu a doença de Chagas, as histórias de sua devoção aos enfermos e de sua preocupação com os pobres com quem se avistava era a moeda mais corrente dos entretenimentos que tive da parte da população que tão bem se lembrava dele.”

“Durante o exercício da medicina, na ocasião de sua instalação, pouco duradoura, na rua da Assembleia, muitas vezes – como já foi assinalado – tirava do seu bolso a soma necessária para pagar a receita que prescrevera na consulta, a mais das vezes nem cobrada. Não por uma injustificável soberba, mas porque achava que a medicina devia ser exercida gratuitamente. (...) Chagas era um homem devotado ao seu semelhante, qualquer que fosse a sua situação social ou econômica. Entretanto, o dinheiro que não recebia dos pacientes, ou que lhes dava para aviamento da receita, faltava, às vezes, fortemente, ao orçamento doméstico.”

Estas “recordações” representam um expressivo coroamento da extensa e rica biografia que recebeu o título carinhoso de Meu pai. Revelam-nos o homem virtuoso que cumpriu elevada missão na Terra, pautando sua vida à luz do Evangelho. Portanto, ele estava preparado para desempenhar nova e sublime tarefa, sob as bênçãos de Jesus, que se iniciou com o livroNosso lar, utilizando-se o pseudônimo André Luiz.

Autor de autêntica revelação dentro da Terceira Revelação

Integrando a obra literária de André Luiz (espírito), recebida pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, a Coleção “A vida do mundo espiritual”, composta de 13 livros, todos no estilo romanceado de Nosso lar (1943) e E a vida continua... (1968), trouxe tantas informações novas do Mais Além que tem sido considerada, judiciosamente, como verdadeira revelação dentro da Terceira Revelação.

O seus relatos preciosos, acompanhados de elevadas lições de benfeitores abalizados, incluindo avançadas revelações científicas, trazem sempre um importante conteúdo evangélico.

Enaltecendo a coleção referida, também chamada Série “Nosso lar”, o renomado cientista espírita Dr. Hernani Guimarães Andrade (1913-2003) fez a seguinte previsão: “As obras de André Luiz, psicografadas por Francisco Cândido Xavier, serão, futuramente, objeto de estudo sério e efetivo nas maiores universidades do mundo, e consideradas como a mais perfeita informação acerca da natureza do homem e da sua vida após a morte do corpo físico.” (A Matéria Psi, Hernani G. Andrade, O Clarim, p. 15.)

Em princípios de 2000, as Organizações Candeia, de Catanduva, SP, realizou oportuna pesquisa bibliográfica para definir quais os dez melhores livros espirituais do século XX. E na relação dos escolhidos aparecem três de André Luiz: Nosso lar, o mais votado, Evolução em dois mundos e Missionários da luz. (Anuário Espírita 2001, p. 35.)

Além da Série “Nosso lar”, André Luiz escreveu 15 obras, sendo seis em parceria com Emmanuel e uma com Lucius / Francisco Cândido Xavier e Heigorina Cunha (Cidade no Além); também participou de muitas outras de autores diversos.

(Veja também na mesma obra depoimento valioso na questão Chico-Kardec.)
 



Fonte: Mediunidade na Bíblia, Editora Ide | Autor: Hércio M. C. Arantes | Junho, 2006. | p. 187-194 | Inserida no Anuário Espírita de 2004 - IDE - Araras | Enviado por Geraldo Lemos Neto - Vinha de Luz | Serviço Editorial
09/10/2009

NAIR BELLO - Depoimento sobre Chico Xavier (1995)



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